O texto a seguir pode dar margem para dúvidas, então é importante frisar que o gráfico e texto abaixo são um mero exercício mental, e que não estamos na área de previsões cataclísmicas.
De qualquer forma segue um gráfico (em escala logaritmica) do Dow Jones Industrials entre Janeiro de 1929 (o ano do Crash) até Dezembro de 1954 (não está muito fácil de ler o gráfico).
Muito se houve falar sobre como no longo prazo a bolsa é o melhor dos investimentos. No entanto, foram necessários praticamente 25 anos para o Dow Jones Industrials voltar ao mesmo nível anterior ao Crash de 1929. Vinte e cinco anos sem qualquer ganho e de muitas noites mal dormidas por investidores.
Existem vários outros exemplos de períodos prolongados onde a bolsa permaneceu estagnada. Muito dificilmente a crise atual tomará a mesma proporção. É muito fácil se esquecer da dimensão da Grande Depressão (peak-to-bottom): queda de 45% no PIB americano (GDP), um índice de desemprego superior a 30% e uma queda de quase 90% nas Bolsas. Nem os mais pessimistas esperam que a crise financeira afete a economia em proporção parecida. Mas o ponto é, que em momentos de deslocamentos significativos de mercado, nem mesmo o buy and hold e investimento a longo prazo são garantia de retornos.
Como lembrou recentemente Jim Grant (Grant’s Interest Rate Observer) numa palestra em Columbia, até mesmo Ben Graham pai do value investing, chegou a defender, após a recessão de 1937, que se evitasse investimentos em ações (apesar de na época o dividend yield das ações estarem muito superiores aos retornos de títulos públicos).
A única alternativa para uma experiência menos dolorosa é a combinação de um horizonte de longo prazo com uma rígida disciplina de investimento. Não basta apenas ter paciência e capacidade de segurar seus investimentos por muito tempo, é também essencial saber comprar.
Christian Bojlesen
Bojlesen Capital