Ainda não foi muito comentado, talvez por ainda não ser motivo de preocupação, mas um passo foi dado na direção de uma política de crédito imobiliário menos responsável no mercado imobiliário brasileiro. Temos agora a dúbia honra de termos empréstimos imobiliários com teaser rate, ou seja, uma taxa inicial baixa que aumenta (reseta) depois do prazo inicial de forma substancial (que alguns estraga-prazeres diriam ser a base de boa parte da crise no mercado norte-americano no momento).

O primeiro passo de uma prática menos responsável veio com o financiamento, por alguns players, da totalidade do valor imóvel e em alguns casos os gastos com cartórios (LTV, loan-to-value de 100%, significando que 100% do valor do imóvel é financiado). Loan-to-value baixo é uma das premissas básicas da concessão racional de crédito imobiliário, uma vez que na medida que o tomador de empréstimo efetivamente investiu seu dinheiro, ele está mais propenso a pagar as prestações para não arriscar seu patrimônio. Se o valor total é financiado, qualquer queda pontual no valor do bem financiado, pode deixar o saldo devedor superior ao valor do imóvel, e quando isso acontece sabemos muito bem o que acontece. Não é a toa que um dos requerimentos básicos da Fannie Mae e Freddie Mac para adquirir hipotecas nos Estados Unidos é que o LTV seja abaixo de 80%. No caso brasileiro existe a exigência de colateral adicional para cobrir a parcela acima de 80%, mas o problema é que pequenos e graduais sinais de menor rigidez na concessão de crédito resultam em uma grande e preocupante perda de critérios quando somados.

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